Repensando as noções de pessoa, tempo e espaço sob a perspectiva da Antropologia Simétrica e da Virada Ontológica
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O mundo que você vê não é o único que existe. 
O que acontece quando as leis da física quântica encontram a profundidade da antropologia? Em seu novo livro, “O Eu Multidimensional”, o Prof. Dr. Rodrigo Simas Aguiar (UFGD) nos convida a uma jornada radical: repensar quem somos, como percebemos o tempo e como ocupamos o espaço.
Esqueça a ideia de que somos indivíduos isolados. Através da Antropologia Simétrica e da Virada Ontológica, esta obra desafia as fronteiras entre ciência e cultura, humano e não-humano.
Por que ler?
- Para entender como a realidade é um conceito relativo que se molda através das nossas relações.
- Para explorar o conceito de “Antropologia Quântica”.
- Para atualizar sua visão sobre os grandes debates contemporâneos das ciências humanas.
Um convite para acadêmicos, curiosos e mentes inquietas que buscam enxergar além do óbvio.
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+Resumo expandido
Elaborado originalmente como tese de professor titular, o livro propõe uma inflexão teórica ambiciosa no campo antropológico ao deslocar a centralidade da noção clássica de sujeito para uma concepção expandida, relacional e ontologicamente plural do “eu”. O argumento central sustenta que a manifestação da pessoa não se esgota na presença física no tempo presente, mas depende de um trânsito contínuo entre dimensões e espacialidades — um hiperespaço onde se encontram os elementos constitutivos da experiência subjetiva.
A obra inicia com uma revisão crítica da noção de pessoa na tradição antropológica, evidenciando como o “eu” oscila entre uma dimensão pronominal (individual, experiencial) e uma dimensão social (coletiva, simbólica). Ao dialogar com autores clássicos e modernos, demonstra-se que a identidade não é uma entidade fixa, mas uma construção dinâmica mediada por processos culturais, históricos e relacionais. Nesse sentido, o “eu” emerge como um ponto de convergência entre memória, expectativa e performance social, tensionado constantemente pela relação com o “outro” e pelos sistemas simbólicos que estruturam a vida coletiva.
Na sequência, o livro aprofunda a análise das categorias de espaço, território e territorialidade, ampliando-as para além de sua materialidade geográfica. O território é concebido como palco da ação social, mas também como uma construção simbólica e cosmológica. A territorialidade, por sua vez, revela-se como um sistema de significações que articula identidade, pertencimento e poder. Ao incorporar etnografias, especialmente em contextos indígenas, a obra demonstra que diferentes ontologias produzem diferentes espacialidades, nas quais dimensões míticas e materiais coexistem e se interpenetram, desafiando a concepção ocidental de realidade como única e objetiva.
É nesse ponto que se ancora nas contribuições da Antropologia Simétrica e da Virada Ontológica. Inspirando-se em autores como Bruno Latour e Eduardo Viveiros de Castro, o autor advoga pela superação do antropocentrismo, propondo uma abordagem que reconhece a agência de actantes humanos e não humanos. A realidade social passa, então, a ser compreendida como resultado de redes complexas de interação, nas quais objetos, tecnologias, animais e entidades metafísicas participam ativamente da constituição do mundo social. Essa perspectiva conduz à noção de pluriverso, em oposição à ideia de uma única natureza interpretada por múltiplas culturas.
A incorporação de referenciais oriundos da Teoria do Caos e da Teoria Ator-Rede amplia ainda mais o escopo analítico, permitindo pensar o social como um sistema não linear, sensível a pequenas variações e constituído por múltiplas interdependências. Nesse contexto, a previsibilidade dá lugar à complexidade, e o campo das possibilidades torna-se tão relevante quanto a causalidade. Tal movimento teórico abre espaço para uma reconfiguração profunda das categorias clássicas da antropologia.
Nos capítulos finais, a obra avança para um diálogo com o transumanismo, o pós-humanismo e as tecnologias emergentes, especialmente a inteligência artificial e a computação quântica. Argumenta-se que tais desenvolvimentos não apenas transformam o mundo social, mas também reconfiguram a própria noção de humano. O “eu” deixa de ser um atributo exclusivamente biológico para assumir formas híbridas, distribuídas e potencialmente desmaterializadas. Surge, assim, a ideia de um “eu” multidimensional, cuja existência se dá em múltiplos planos de realidade, articulando corpo, tecnologia, consciência e virtualidade.
Como desfecho — deliberadamente aberto —, o autor propõe duas contribuições fundamentais: (1) a necessidade de superar a centralidade do humano como categoria analítica exclusiva, e (2) a formulação de uma antropologia capaz de lidar com a multidimensionalidade do ser. Ao fazer isso, a obra não apenas dialoga com os debates contemporâneos mais avançados, mas também antecipa questões cruciais para o futuro da disciplina, posicionando-se como uma reflexão inovadora sobre os limites e possibilidades do pensamento antropológico no século XXI.